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Um ano após o lançamento, o primeiro fundo da gestora de fundos imobiliários Habitat Capital Partners recebeu neste mês autorização da B3 para ser negociado em bolsa. A ideia é que possa oferecer liquidez, embora esse não seja seu principal atrativo.

Distribuído entre investidores qualificados, o fundo tem prazo definido de dez anos – com amortizações a partir do 25o mês – e elevada cobertura de garantias. O rendimento acumulado até abril foi de 207,2% do CDI.

O plano é que os R$ 200 milhões captados sejam investidos neste ano. Metade já foi aplicada e há operações aprovadas para outros R$ 40 milhões, diz Eduardo Malheiros, sócio e presidente da gestora. Sob a mesma estratégia, a Habitat gere mais R$ 100 milhões em coinvestimento de recursos que não foram acomodados no fundo.

A gestora investe em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e tem foco em empreendimentos distantes dos principais eixos urbanos. Na carteira, há operações em cidades de menor porte como Macapá (AP), Palmas (TO), Caruaru (PE), Caldas Novas (GO) e São João Del Rei (MG).

O processo é todo feito dentro de casa – da securitização dos recebíveis imobiliários até o acompanhamento da cobrança dos projetos, por meio de empresas que são parte do grupo. O objetivo é manter o portfólio sob controle e mitigar riscos.

“Atendemos companhias menores e com mais dificuldade na obtenção de crédito”, diz Malheiros, que ainda não vê os bancos voltando com força ao financiamento a incorporadoras. A gestora é o único credor dos projetos em que investe e sempre opera com garantia real – por meio da alienação fiduciária das cotas das sociedades de propósito específico.

A Habitat tem como sócios a QMS Capital, dos ex- Credit Suisse Marcelo Kayath e Edward Weaver, a gestora de private equity imobiliário MaxCap, fundada pelo empresário José Paim de Andrade Jr., e a GTC/RTSC, especializada em estruturação e monitoramento de recebíveis do setor.

A queda da taxa Selic num ritmo maior que o esperado, se por um lado tem atraído mais investidores para fundos imobiliários, por outro levou a gestora a rever a avaliação de projetos. Também foi um dos fatores que tornaram mais lentos os planos da Habitat. Embora o lançamento de um segundo fundo – desta vez, voltado ao varejo – já esteja no radar, a expectativa inicial de captar R$ 1 bilhão em um ano não deverá ser alcançada.

Fonte:
valor.com.br